Mesmo morando nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse ao The New York Times que pretende continuar na política brasileira e voltar a disputar a Presidência: “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”. Ele afirmou que vai “seguir com a vida a partir dos Estados Unidos, pelo menos por enquanto”. Segundo o jornal, Flávio, a mulher e as duas filhas podem ficar no país por pelo menos um ano, com uma autorização migratória geralmente dada por razões humanitárias. A próxima eleição presidencial está marcada para 2030.
Hoje, nada impede uma nova candidatura. Pela Lei da Ficha Limpa, fica inelegível por oito anos quem é condenado por um órgão colegiado da Justiça, por exemplo em crimes como lavagem de dinheiro, ou quem tem os direitos políticos suspensos por condenação definitiva. Flávio não tem condenação, não foi denunciado e não é réu. Ele é investigado em dois inquéritos no STF: um apura o repasse de quase US$ 70 milhões do Banco Master para o filme Dark Horse, sobre a trajetória do pai, sob relatoria de André Mendonça; o outro investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, sob relatoria de Alexandre de Moraes. O senador nega irregularidades. Uma condenação por órgão colegiado antes do registro de candidatura poderia mudar esse quadro.
O mandato de senador termina em 31 de janeiro de 2027, e com ele a imunidade parlamentar. Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, isso não significa necessariamente que os casos saiam do Supremo, porque a jurisprudência mantém o foro quando os supostos crimes têm relação com o mandato. A saída do país descumpriu decisão de Moraes que o proibia de viajar, e a Polícia Federal apura como foi a viagem. Especialistas também consideram remotas as chances do pedido de Flávio para anular a eleição de 2026.
Com informações de BBC News Brasil (via A Gazeta) e The New York Times
Foto: Agência Senado





