Na entrevista ao The New York Times, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a pôr em dúvida o resultado da eleição presidencial e disse que a vitória de Lula (PT) seria “matematicamente impossível”, sem apresentar provas. Ele mesmo admitiu a incerteza: “Tenho minhas suspeitas. Ninguém pode dizer com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado”. Uma das queixas é a prorrogação do horário de votação, que foi pedida pelas duas campanhas por causa de chuvas e atrasos no transporte. Segundo levantamento da BBC News Brasil, a medida afetou cerca de 34 mil votos. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, uma diferença de 4,4 milhões. O TSE rejeitou as acusações de fraude, observadores internacionais disseram que a votação correu com normalidade e lideranças do próprio PL reconheceram o resultado.
As duas campanhas apostaram em estratégias diferentes na reta final. A de Flávio investiu em atos de rua com música e dança, como o “bloquinho do 22”, que levou funk e axé à Avenida Paulista no domingo (18 de outubro). Do lado de Lula, o deputado André Janones (Rede-MG) comandou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que passou de 7 milhões de participantes e distribuía “missões” para virar votos, além de uma live de 24 horas depois do último debate. O próprio Flávio reclamou ao jornal americano da mobilização digital que favoreceu o petista.
Analistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam outros fatores. Para o cientista político Sérgio Abranches, Flávio “achou que estava eleito e entrou no segundo turno muito arrogante”. Felipe Nunes, da Quaest, diz que a campanha não percebeu que parte dos votos do primeiro turno vinha de um eleitor que não era fixo. Maurício Moura, do Instituto Ideia, afirma que, em grupos focais, as respostas irônicas a Lula nos debates foram vistas como “infantis”. A socióloga Christina Vital, da UFF, cita a promessa de manter o Bolsa Família depois que reapareceram posts antigos em que ele chamava o programa de “bolsa farelo”.
Com informações de BBC News Brasil (via A Gazeta), Correio Braziliense/BBC e Gazeta do Povo
Foto: Partido Liberal/Divulgação






