A defesa de Hamilton Libório Agle, ex-diretor-presidente da Estre Ambiental e investigado na Operação Cavalo de Troia, pediu que a investigação sobre a concessão da coleta de lixo de Bauru seja enviada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O pedido, protocolado na terça-feira (3) pelos advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Igor Sant’Anna Tamasauskas, também quer a suspensão de diligências e medidas cautelares, exceto as necessárias para preservar provas já obtidas. Como alternativa, a defesa sugere o Tribunal Regional Eleitoral, se os elementos tiverem natureza eleitoral.
O argumento é que a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), tem foro no TJ-SP. A defesa apresenta conversas entre Agle e a ex-secretária municipal do Meio Ambiente Cilene Chabuh Bordezan em que, segundo os advogados, a prefeita é citada em contextos como encontros reservados e possíveis pagamentos. A petição não afirma que as mensagens comprovam crime da prefeita. O Gaeco, do Ministério Público, que conduz a investigação, já havia considerado as referências a Suéllen “marginais e indiretas” e afirmado que os atos administrativos dela eram regulares; a defesa diz que dados extraídos de celulares trouxeram elementos novos. O advogado da prefeita, Jeferson Machado, foi procurado pelo JCNET e não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
A operação apura suspeitas de fraude na licitação do manejo de resíduos sólidos de Bauru, estimada em cerca de R$ 5,2 bilhões. Na segunda fase, em 16 de outubro, foi preso Renato Purini, marido da prefeita e então secretário de Governo. Agle teve a prisão preventiva trocada por medidas cautelares por decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 29 de outubro. O pedido de envio ao TJ-SP ainda depende de decisão da primeira instância. Todos os citados têm direito à presunção de inocência.
Com informações de 96FM Bauru e JCNET
Foto: Reprodução/JCNET






